Senhoras e senhores, queridas advogadas e queridos advogados, membros da diretoria, das comissões, autoridades presentes.
Hoje, esta Casa não se reúne apenas para dar posse. Hoje, esta Casa se reúne para assumir um compromisso com o tempo em que vivemos. Porque há momentos na história em que instituições são chamadas a escolher. Escolher entre se adaptar ou se tornar irrelevantes. Escolher entre assistir às transformações ou liderá-las. Escolher entre preservar aparências ou sustentar princípios.
Este é um desses momentos.
A advocacia está sendo atravessada por mudanças profundas. A tecnologia avança, redesenha o trabalho, altera relações, redefine o valor do que fazemos. O sistema de justiça se transforma. Mas, ao mesmo tempo, enfrenta uma crise silenciosa e perigosa. Uma crise de confiança. Uma crise de credibilidade.
Quando decisões deixam de ser compreendidas, quando a previsibilidade se perde, quando a sociedade começa a duvidar da imparcialidade das instituições, o que está em jogo não é um tribunal. É o próprio sistema de justiça. E isso nos alcança a todos. Inclusive o Supremo Tribunal Federal, que, como vértice do sistema, carrega o peso e a responsabilidade de preservar essa confiança.
Mas há um outro problema que cresce em paralelo. O esvaziamento da justiça. A busca por eficiência se tornou obsessão. Processos mais rápidos. Decisões em escala. Produtividade elevada. E, ainda assim, algo essencial está se perdendo. A escuta. A presença. A percepção de que, por trás de cada processo, existe uma pessoa.
Podemos estar ganhando velocidade. Mas estamos, muitas vezes, perdendo sentido. E é exatamente nesse ponto que a advocacia se torna decisiva. Porque a advocacia é a última linha de contato com o cidadão. É a advocacia que escuta. É a advocacia que traduz. É a advocacia que sustenta o direito quando o sistema se torna impessoal.
E, por isso, não somos parte do problema. Somos parte da solução. E é essa consciência que precisa orientar cada um de nós.
Porque há dois caminhos possíveis. O primeiro é o da acomodação. É o caminho de quem observa, comenta, critica… e, no fim, aceita. É o caminho de quem se esconde atrás da complexidade para justificar a própria inércia. Nós não escolhemos esse caminho.
O nosso caminho é outro. É o caminho da presença. Presença quando as prerrogativas são violadas. Presença quando a advocacia é desvalorizada. Presença quando a justiça se afasta das pessoas. Presença quando o sistema perde o seu centro.
Nós estaremos presentes. Estaremos presentes nos tribunais. Estaremos presentes nas instituições. Estaremos presentes na formação. Estaremos presentes na inovação.
E deixo claro: não importa o tamanho do desafio. Não importa a resistência. Não importa a pressão. Nós não recuaremos. Não recuaremos na defesa das prerrogativas. Não recuaremos na dignidade da advocacia. Não recuaremos na reconstrução da confiança no sistema de justiça. Porque ninguém fará isso por nós.
E cada um que hoje assume uma função precisa compreender: não é um título. É um compromisso. Compromisso com a advocacia real. Compromisso com quem enfrenta dificuldade. Compromisso com uma sociedade que precisa voltar a confiar.
Aqui não há espaço para vaidade. Não há espaço para atuação simbólica. Aqui há espaço para entrega.
Porque a verdade é simples: sem advocacia forte, não há justiça confiável. Sem advocacia forte, não há equilíbrio. Sem advocacia forte, o sistema perde a sua alma.
E é por isso que o nosso papel não pode ser tímido. Não fomos chamados para administrar o presente. Fomos chamados para reposicionar a justiça. Reposicionar a justiça como experiência humana. Reposicionar a justiça como espaço de escuta. Reposicionar a justiça como instrumento de confiança. E isso não será feito por discursos. Será feito por ação. Ação coordenada. Ação consistente. Ação contínua.
E isso exige unidade. Unidade. Podem tentar dividir a advocacia. Podem tentar enfraquecê-la. Mas não conseguirão. Não conseguirão se estivermos juntos.
Hoje não é uma cerimônia. É um chamado. Um chamado à presença. Um chamado à responsabilidade. Um chamado à reconstrução da confiança.
E a pergunta final não é se o tempo é difícil. Isso já está dado. A pergunta é: nós estaremos à altura dele?
Eu acredito que sim. Então sigamos. Firmes. Presentes. E protagonistas da advocacia que este tempo exige.
Muito obrigado.