Senhoras Conselheiras, Senhores Conselheiros,
Há pessoas que nascem em um lugar.
E há pessoas que pertencem a um lugar.
Nem sempre é a mesma coisa.
O Dr. Ceccatto nasceu no Paraná.
Mas pertence a Rondônia.
Porque pertencimento não é geografia.
É escolha.
Poucos dias depois de se formar em Direito, ele colocou um terno, uma pequena máquina de escrever e um sonho na bagagem.
Era praticamente tudo o que tinha.
Veio para um Estado que ainda aprendia a ser Estado.
Não veio encontrar caminhos prontos.
Veio abrir caminhos.
Não encontrou instituições consolidadas.
Ajudou a consolidá-las.
Não veio apenas para testemunhar uma história.
Veio para participar de sua construção.
É curioso.
No depoimento que escreveu sobre a própria trajetória, ele quase não fala de si.
Fala de Rondônia.
Fala da Assembleia Legislativa.
Fala da Constituição do Estado.
Fala da Ordem.
Fala dos colegas.
Fala da família.
Quem vive apenas para si escreve uma autobiografia.
Quem dedica sua vida a algo maior ajuda a escrever a história de uma comunidade.
E foi exatamente isso que ele fez.
Participou da instalação da Assembleia Legislativa de Rondônia.
Ajudou a elaborar o seu primeiro Regimento Interno.
Contribuiu para a primeira Constituição Estadual e, depois, para sua adequação à nova ordem constitucional brasileira.
Quando Rondônia organizava suas instituições, o Dr. Ceccatto estava lá.
Não como espectador.
Como protagonista.
Existe uma diferença enorme entre apenas passar por uma profissão e deixar essa profissão maior do que a encontrou.
O Dr. Ceccatto deixa a advocacia maior.
Foi advogado.
Foi professor.
Serviu ao Poder Legislativo durante 37 anos.
Foi Conselheiro Seccional.
Foi Diretor desta Casa.
Foi Conselheiro Federal por quatro mandatos.
Mas nenhuma dessas funções, isoladamente, explica sua trajetória.
Porque cargos registram posições.
Trajetórias revelam propósitos.
E o propósito que atravessa sua história é o serviço.
Serviço ao Direito.
Serviço às instituições.
Serviço à advocacia.
Serviço a Rondônia.
Por isso, este jubilamento não é uma despedida.
Não é o anúncio de um encerramento.
É um gesto de reconhecimento.
É a advocacia rondoniense interrompendo, por alguns instantes, a urgência dos seus dias para olhar para um de seus construtores e dizer:
Nós conhecemos a sua história.
Nós reconhecemos a sua contribuição.
Nós agradecemos pelo caminho que o senhor ajudou a abrir.
Celebrar uma trajetória não significa colocá-la no passado.
Significa compreender a sua presença no presente.
Porque o trabalho realizado pelo Dr. Ceccatto continua vivo nas instituições que ajudou a construir, nas gerações que ensinou, nos colegas com quem dividiu responsabilidades e na advocacia que representou em Rondônia e no Conselho Federal.
Dr. Ceccatto,
Hoje, esta Casa não celebra o encerramento de uma caminhada.
Celebra a grandeza do caminho percorrido até aqui.
Celebra o jovem advogado que deixou o Paraná poucos dias depois da formatura e escolheu apostar seu futuro em Rondônia.
Celebra o homem que chegou com poucos pertences, mas com coragem suficiente para construir uma vida, uma família, uma carreira e um legado.
Celebra o advogado que compreendeu que exercer o Direito é também participar da construção da sociedade.
E celebra, sobretudo, alguém que, depois de tantas conquistas, olha para sua própria história não com vaidade, mas com gratidão.
Gratidão a Rondônia.
Gratidão aos colegas.
Gratidão à família.
Gratidão às pessoas que encontrou pelo caminho.
E gratidão a Deus.
Há quem escolha uma terra.
E há quem seja escolhido por ela.
Rondônia escolheu o Dr. Ceccatto.
E o Dr. Ceccatto escolheu Rondônia todos os dias, por mais de quatro décadas.
Em nome da advocacia rondoniense, receba o nosso respeito, a nossa gratidão e o nosso reconhecimento.
Muito obrigado por ajudar a construir Rondônia.
Muito obrigado por engrandecer a advocacia.
E muito obrigado por nos lembrar que uma trajetória verdadeiramente grande não se mede apenas pelo tempo transcorrido.
Mede-se pela marca que deixa nas pessoas, nas instituições e na história.