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LEIA O DISCUSO DO PRESIDENTE EM CACOAL: “Por que a inteligência artificial nunca vai substituir um bom advogado?”

Página Inicial / LEIA O DISCUSO DO PRESIDENTE EM CACOAL: “Por que a inteligência artificial nunca vai substituir um bom advogado?”

Discurso foi proferido pelo presidente Marcio Nogueira, durante entrega de credenciais em Cacoal

Boa noite a todos.

Boa noite às autoridades presentes.
Boa noite à advocacia de Cacoal.
Boa noite, especialmente, aos novos advogados e novas advogadas que hoje assumem seu compromisso perante a Ordem dos Advogados do Brasil.

Toda cerimônia possui um rito.

Mas alguns ritos revelam algo mais profundo sobre a própria condição humana.

E esta noite é uma delas.

Porque o que acontece aqui não é apenas a entrega de uma carteira profissional.

É o reconhecimento público de que a sociedade continua precisando de pessoas capazes de assumir responsabilidade diante do sofrimento humano.

E isso se torna ainda mais importante no tempo em que vivemos.

Vivemos a era da automação.

As máquinas escrevem textos.
Os algoritmos organizam informações.
A inteligência artificial responde perguntas em segundos.

E muita gente começou a acreditar que inteligência é velocidade.

Mas velocidade não é inteligência.

Uma calculadora é mais rápida que qualquer ser humano para fazer contas.
Nem por isso ela possui sabedoria.

Recentemente, Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple, fez uma observação brilhante.

Falando sobre a tentativa tecnológica de reproduzir o cérebro humano, afirmou:

“Eu trabalhei em uma empresa em que os engenheiros descobriram como criar um cérebro.”

Fez uma pausa.

E concluiu:

“Leva nove meses.”

A frase provoca riso porque revela uma verdade simples que o nosso tempo começou a esquecer.

O cérebro humano não é instalado.

Ele é formado.

Uma criança não aprende a confiar porque recebeu dados.

Aprende porque alguém a segurou no colo.

Aprende porque ouviu uma voz.
Porque encontrou um rosto.
Porque alguém permaneceu presente.

É assim que a consciência humana nasce.

E é interessante perceber que exatamente hoje o mundo recebeu um alerta na mesma direção.

Na encíclica Magnifica Humanitas, divulgada hoje pelo Papa Pope Leo XIV, há uma afirmação profunda:
uma decisão automática não é necessariamente uma decisão justa.

Essa frase parece simples.

Mas ela desmonta uma ilusão perigosa da nossa época:
a ideia de que eficiência pode substituir consciência.

Porque uma máquina pode calcular.

Mas não possui compaixão.

Pode organizar informações.

Mas não possui responsabilidade moral.

Pode sugerir respostas.

Mas não sofre as consequências humanas da decisão tomada.

E isso muda completamente a forma de compreender a advocacia.

Porque ninguém procura um advogado nos dias mais leves da vida.

As pessoas procuram advogados quando estão com medo.

Quando um casamento acabou.
Quando perderam patrimônio.
Quando alguém foi preso.
Quando uma empresa está ameaçada.
Quando a vida saiu do eixo.

E nesses momentos ninguém precisa apenas de informação jurídica.

Precisa de presença humana.

Todo mundo aqui já recebeu uma mensagem automática.

Mas ninguém se sente verdadeiramente acolhido por uma mensagem automática.

Porque confiança não nasce da eficiência.

Nasce da percepção de que existe um ser humano assumindo responsabilidade diante de outro ser humano.

E é exatamente isso que o nosso tempo começou lentamente a perder.

Confundimos modernização com afastamento.

Digitalizamos processos.
Virtualizamos relações.
Automatizamos rotinas.

Tudo isso trouxe avanços importantes.

Mas começamos a transformar pessoas em protocolos.

E quando isso acontece, as estruturas continuam funcionando…
mas deixam de produzir pertencimento humano.

O cidadão sente que ninguém realmente o escutou.
O cliente sente que virou número.
O conflito humano vira apenas movimentação processual.

E Justiça sem escuta humana vira apenas administração técnica de litígios.

Por isso a advocacia continua indispensável.

Porque nenhuma máquina olha nos olhos de alguém desesperado e percebe o que não foi dito.

Nenhuma máquina sente o peso moral de uma decisão errada.

Nenhuma máquina entra em casa depois de uma audiência difícil carregando a responsabilidade humana do que aconteceu ali.

Essas continuam sendo experiências humanas.

O advogado não trabalha apenas com leis.

Trabalha com confiança humana em ambientes de conflito.

E isso faz desta profissão algo muito maior do que uma atividade técnica.

A advocacia é uma das últimas profissões em que a presença humana não é detalhe.

É essência.

E quero dizer algo importante aos novos colegas desta noite.

Vocês precisarão dominar tecnologia.
Precisarão compreender inteligência artificial.
Precisarão aprender continuamente.

Mas jamais permitam que a lógica das máquinas transforme vocês em pessoas frias.

Porque o mundo já terá máquinas suficientes.

O que faltará serão pessoas capazes de escutar de verdade.
Pessoas capazes de sustentar responsabilidade.
Pessoas capazes de permanecer presentes quando alguém estiver desmoronando.

Quanto mais automatizada a sociedade se torna, mais valiosa se torna a presença humana qualificada.

Porque o futuro não pertencerá apenas aos que souberem processar informação.

Pertencerá aos que forem capazes de gerar confiança humana em um mundo cada vez mais impessoal.

E é exatamente por isso que a advocacia continuará essencial.

Enquanto houver sofrimento humano, haverá necessidade de alguém capaz de escutar, interpretar e sustentar responsabilidade diante do outro.

Parabéns aos novos advogados e novas advogadas.

Que vocês construam uma advocacia moderna.
Tecnológica.
Preparada para o futuro.

Mas, acima de tudo:
uma advocacia profundamente humana.

Muito obrigado.

Fonte da Notícia:

Ascom OAB/RO

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