Senhoras e senhores, amigos advogados, amigas advogadas, autoridades, membros da comunidade de Jaru. Eu abro esta noite evocando as palavras de um poeta que enxergava grandeza, onde o mundo só via simplicidade. O nome dele é Manuel de Barros. Ele é matogrossense do Pantanal e escreveu sua obra celebrando as coisas pequenas, as palavras esquecidas, os gestos que sustentam o mundo em silêncio.
A sua poesia não gritava, ela sussurrava verdades profundas. Aliás, só quem vive no mato é capaz de viver essas verdades profundas. E é com o verso dele que convido todas e todos nós a entrarmos juntos nesta noite simbólica.
O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo. Manuel de Barros.
Cada posse é também um recomeço. E todo recomeço pede que a gente olhe para além do que está diante dos olhos. Como diz Manuel de Barros, pede que a
gente transveja, transver a advocacia, transver a justiça, transver o papel da OAB neste tempo. E é exatamente por isso que nós estamos aqui hoje.
E eu nem combinei discurso com o Roger, viu? É a nossa sintonia, meu irmão.
Toda cidade tem uma alma e a alma de Jaru não se revela de imediato. Ela se
oferece aos poucos como o aroma do café que sobe da chaleira devagar, firme e
anunciando presença. Há em Jaru uma sabedoria, uma maneira de construir
comunidade com os pés no chão e o coração das pessoas.
Talvez venha daí a fama, meu amigo Roger, é porque aqui tem coração e muito, como uma árvore de raízes fundas e sombra generosa. Estar aqui hoje não é apenas uma honra institucional. Eu digo de todo o meu coração, é um reencontro com a essência da advocacia.
Toda gestão tem início, tem meio e tem fim, mas algumas ultrapassam os marcos do tempo. Elas permanecem como marcas gravadas na madeira de um ofício antigo, onde cada risco corta uma história de entrega.
Hoje homenageamos a diretoria que encerra seu ciclo sob a liderança generosa e firme de Roger Taylor Silva Rodrigues. Roger conduz sem gritar, une sem forçar, convence sem esmagar. Mas o que mais me emociona nessa história que escrevemos juntos é que ela, todo mundo aqui sabe, começou em lados opostos da praça.
Na primeira eleição que disputei para presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roger estava do outro lado. Pediu votos não para mim, mas para outra candidata. Vocês lembram disso, né?
Mas o que veio depois, meus amigos e minhas amigas, foi grandioso. Veio o
tempo do diálogo, do reconhecimento. Roger não apenas atravessou essa ponte,
ele se tornou a própria ponte. Foi por isso que confiei a ele nesta gestão a
coordenação do Colégio de Presidentes de subseção, porque esta missão de
coordenar este colégio de presidentes exige escuta, exige humildade e ninguém
ninguém traduz o espírito do coletivo como este grande líder que é o Roger
Taylor, a quem eu peço que renovemos a salva de palmas.
Assume hoje a nova diretoria da subseção de Jaru para o triênio 25/27.
Mesmo quando mudam os nomes, a alma de um projeto permanece. Retorna à
presidência Roger Taylor Silva Rodrigues. Assumem com ele Sabrina
Caroline Andrade Magalhães como vice-presidente. Caroline Dias de Campos
como secretária geral. Kevelyn Andlish Simão, secretária geral adjunta, e
Edivaldo José dos Santos, diretor tesoureiro.
Cada nome carrega uma história e juntos formam algo maior que a soma das partes. Direção. Essa diretoria entende que a advocacia é como uma ponte suspensa. balança com o vento das urgências, mas se mantém firme, sustentada pela confiança. Tenho certeza que serão anos de grandes avanços para a advocacia de Jaru.
Me dirijo agora aos colegas que hoje receberam suas credenciais. Este é um dia certamente inesquecível, não apenas pela conquista, mas porque marca o início de uma travessia nova para vocês. A carteira que recebem hoje é uma chave, ela abre portas, mas exige presença.
A advocacia exige mais que técnica, exige presença. Escuta, lembra do coração que o chat GPT não tem e que é nosso esse compromisso com o ser humano,
colocar toda a sua humanidade no exercício dessa profissão que transforma
vidas.
O tempo, meus amigos e minhas amigas, ensinará os caminhos, mas o propósito é o que os manterá de pé. Vocês não entram apenas na profissão,assumem uma missão num compromisso com a justiça e com a sociedade.
Sejam muito bem-vindos mesmo. Contem sempre com a ordem nessa caminhada.
Celebramos um novo ciclo, é porque plantamos marcos não para o aplauso, mas para abrir clareiras na floresta do sistema de justiça.
Lá atrás, no pós-pandemia, em que estávamos um tanto perdidos e tentando
encontrar um rumo em meio a tantas dificuldades que vivemos, no meu
primeiro mandato, nós lutamos para convivermos com magistrados em nossas
comarcas.
Mais recentemente, mas ainda em meu primeiro mandato, garantimos o direito à sustentação oral presencial. Esta é uma decisão liminar e temos lutado para que ela se consolide numa definitiva lá no CNJ.
Recentemente, já agora, no começo do ano, nós tivemos a consolidação de uma grande vitória contra aquela narrativa nefasta da advocacia predatória. Uma luta que teve um marco muito relevante aqui em Rondônia.
Nós fomos a primeira seccional do Brasil a conseguir uma recomendação formal da Corregedoria, determinando que não houvesse extinção do processo por exigência de documentos não previstos em lei, senão com fundamentação específica e idônea.
Essa agora é uma diretriz nacional. Começou em Rondônia, agora é nacional, conforme o tema 1198 que foi decidido pelo STJ neste ano. Essas vitórias moldam um sistema de justiça mais humano, mais presente, mas o cenário é desafiador.
Vivemos tempos de excesso e ausência, de tecnologia veloz e relações frágeis. É nesse contexto que a advocacia é chamada a ser ponte entre dois mundos, entre a letra e a vida, entre o direito e o justo.
E a OAB Rondônia está no centro deste movimento, com os pés no presente e os olhos no que vem.
Seguimos com o norte claro e três pilares sustentam as nossas ações como OAB Rondônia. Impulsionar, defender, cuidar. Impulsionar porque
todo advogado precisa de ferramentas para crescer. Defender, porque cada
prerrogativa é por si só uma trincheira da cidadania. Cuidar, porque quem cuida da justiça também precisa ser cuidado.
Esses pilares são como cordas de um instrumento. Cada um tem seu som, mas só
juntas produzem harmonia. E se me permitem, encerro com outro
verso que também fala de amor, um verso do gigante Milton Nascimento em
parceria com Fernando Brant, que diz assim: “Qualquer maneira de amor vale a
pena. Qualquer maneira de amor vale amar.”
A advocacia quando feita com alma é também uma forma de amor. Que sejamos como a rede que se que se estende no quintal, feita de fios delicados entrelaçados com firmeza, que sustentam o corpo, acolhem o cansaço, embalam sonho.
Que a OAB siga sendo essa rede firme, presente, acolhedora. Muito obrigado, meus amigos e minhas amigas.
Sucesso à diretoria do
presidente Roger.