Senhoras e senhores,
Colegas da advocacia,
Autoridades presentes,
Amigos e amigas de Ouro Preto do Oeste,
Não há honra maior do que estar aqui hoje,
nesta terra firme de Rondônia,
onde a advocacia pulsa com a força silenciosa do interior.
Aqui…
onde o Direito não é discurso é sobrevivência.
Onde a justiça não é conceito é urgência.
Onde a advocacia acontece todos os dias,
mesmo quando a estrutura não ajuda,
mesmo quando o respeito falta.
A posse desta nova diretoria é mais do que uma formalidade.
É uma declaração de fé.
Fé na advocacia que não se rende.
Fé na liderança que serve.
Fé na construção coletiva de um tempo melhor.
Falo isso como quem conhece esse caminho.
Nasci em Guajará-Mirim,
filho de migrantes cearenses.
Meu pai, um padeiro.
Minha mãe, uma menina que cresceu entre a dureza da terra e a esperança do amanhã.
Fui o primeiro advogado da minha família.
Me formei na Universidade de Fortaleza, em 2003.
E voltei para Rondônia por convicção e por gratidão.
Porque eu queria devolver à minha terra o que ela me deu.
E aceitei o convite do meu amigo e sócio até hoje, Diego Vasconcelos,
para começar uma jornada que ainda está sendo escrita.
Liderar a OAB, vindo do interior,
é carregar um compromisso maior:
o compromisso com a advocacia real.
Não a idealizada.
Mas a que enfrenta audiências sem estrutura.
Que faz sustentação segurando o celular.
Que vê as contas chegando… e a decisão não saindo.
É por essa advocacia que estamos aqui.
Quero agradecer à presidente Cláudia Fidelis,
que encerra sua gestão com dignidade e serenidade.
Cláudia,
você manteve essa subseção de pé.
E isso, em tempos difíceis, é uma grande vitória.
Muito obrigado.
E dou as boas-vindas à nova diretoria:
Vocês assumem hoje uma missão nobre.
Não de representar mas de cuidar.
Não de comandar mas de servir.
E isso exige coragem.
Mas exige também escuta, empatia e constância.
Vivemos tempos que testam a firmeza das instituições.
Tempos em que a democracia precisa de vigilância constante.
Recentemente, o STF julgou o caso da Débora,
uma mulher que escreveu com batom na estátua da Justiça.
Não se trata de defender o gesto.
Mas de alertar para a desproporção da resposta.
Quando se pune mais o símbolo do que a ameaça real,
quando o rigor se impõe antes da escuta,
algo se perde.
E a advocacia que é parte da justiça, e não sua inimiga
precisa se levantar nesses momentos.
Como disse Barack Obama:
“A democracia não exige uniformidade. Ela exige respeito por diferenças reais.”
Mas também há vitórias.
O Superior Tribunal de Justiça, com firmeza e equilíbrio,
consolidou um entendimento fundamental:
Litigância abusiva não se mede por volume de ações,
mas por intenção deliberada de deturpar o processo.
Essa vitória nasceu aqui, em Rondônia.
Começou com a provocação da OAB à Corregedoria do TJRO,
que editou a primeira recomendação do país sobre o tema.
E mostra que, quando há coragem técnica e responsabilidade institucional,
o interior também lidera.
O interior também ensina.
Seguimos sustentados por três compromissos que não são slogans.
São escolhas diárias:
Impulsionar.
Defender.
Cuidar.
Impulsionar, para dar ferramentas, caminhos e dignidade à advocacia.
Defender, porque não há justiça sem respeito às prerrogativas.
Cuidar, porque a advocacia não se constrói sozinha — ela precisa de rede, de amparo, de humanidade.
Quero encerrar com uma imagem.
Uma fogueira acesa no meio da escuridão.
Às vezes pequena.
Às vezes frágil.
Mas basta uma
para aquecer muitos.
A OAB quando está viva, humana e presente é essa fogueira.
Ela não resolve tudo.
Mas ilumina.
Dá coragem.
Dá direção.
É isso que estamos fazendo juntos.
E é isso que continuaremos a fazer.
Parabéns à nova diretoria.
Parabéns à advocacia de Ouro Preto do Oeste.
Sigamos com lucidez, coragem e propósito.
Porque a justiça começa aqui.
E não há justiça verdadeira sem a presença viva da advocacia.
Muito obrigado.